sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sobre o IASERJ

A recente troca de comando no governo do Estado do Rio trouxe mais uma vez à luz a precária e já endêmica situação dos serviços e instituições de saúde do estado. Entretanto, um pouco além dos holofotes, certas considerações precisam ser feitas. Algumas delas se referem ao IASERJ, instituição particularmente cara aos psicólogos do Rio de Janeiro, destinado a acabar sendo incorporado ao SUS e substituído, em sua atribuição de atender aos servidores públicos estaduais, por planos de saúde privados ao modelo do município do Rio de Janeiro.

O IASERJ, leia-se Instituto de ASSISTÊNCIA ao Servidor do Estado do Rio de Janeiro, tem uma história peculiar. Teve sua origem num sistema criado por um grupo de servidores para credenciar médicos para seu atendimento e veio posteriormente a ser encampado pelo Poder Público, na forma de autarquia, financiada pelo desconto feito em folha dos servidores e seu valor correspondente a ser depositado pelo Estado. Dessa forma cresceu, se tornou uma instituição modelo, conhecida pela excelência de seus serviços médicos e cirúrgicos, pela assistência social e pelo atendimento em saúde mental, no qual foi pioneiro e abriu espaço para práticas psicoterápicas em serviço público.

Os servidores e seus dependentes adquiriram direito ao atendimento no Hospital Central e seus ambulatórios, no Hospital Eduardo Rabelo (geriátrico) e nos ambulatórios periféricos, como Maracanã, Penha, Madureira, Gávea, Nova Iguaçu e Niterói, além de médicos e serviços conveniados por todo o estado.

Ocorreu que o Poder Público – Estado e Município do Rio de Janeiro, que integrava o sistema – deixou de repassar, inicialmente, o que seria sua parte do financiamento do Instituto. Posteriormente, nem mesmo a contribuição dos servidores, descontada em folha, chegava ao IASERJ. Hoje todo o desconto passou a se destinar ao Rioprevidência, não havendo mais desconto específico para o Instituto. Como conseqüência destas faltas, iniciou-se um processo de decadência, com a deterioração ou mesmo falência dos seus equipamentos, espaços físicos e mobiliário, além da desorganização dos serviços contratados de firmas de manutenção, alimentação, limpeza etc.

Aliados a isso, os baixos salários e a ausência de concursos públicos por longos anos resultaram na diminuição do quadro e em nomeações sem critério, que resultaram em perdas na cultura e práticas da instituição. Do ponto de vista administrativo o quadro segue a mesma tendência, pois as constantes substituições do comando, ao sabor dos interesses e acordos políticos, provocou uma descontinuidade que tornou inviável a implementação de qualquer projeto a longo ou médio prazo. Da mesma forma, nos últimos anos a nomeação para cargos em comissão de pessoas estranhas aos quadros do IASERJ, antes restrita aos cargos mais altos passou a se disseminar em todos os espaços e níveis, trazendo claros prejuízos aos serviços.

Para os psicólogos, o IASERJ tornou-se um espaço de trabalho precioso. Contratados inicialmente para efetuar psicodiagnósticos, ainda nos anos 70, sobretudo no Setor Infanto-Juvenil do Ambulatório do Maracanã, onde se concentrava o atendimento à saúde mental, os profissionais ampliaram gradativamente este espaço, através do respeito conquistado pela sua atuação. Com o tempo, além do próprio setor de psiquiatria, onde se faziam atendimentos em psicoterapia, familiares, de grupo e trabalhos com alcoólicos, entre outros, os psicólogos foram atingindo mais setores do Instituto: Seleção e Treinamento, Saúde Ocupacional, Psicossomática, Medicina Física, Creche etc.

Vale perguntar de imediato: que plano de saúde privado disponibilizará o atendimento psicoterápico oferecido hoje nos vários ambulatórios e Serviço de Psicossomática? E ainda: será que essa população, que busca atendimento psicoterápico no serviço público de saúde, tem direito a tal atenção sem ter desenvolvido quadros psiquiátricos? Ou esta deve estar restrita àqueles que podem e se dispõem a freqüentar consultórios particulares?

Não somos, por princípio, contrários à integração do IASERJ ao SUS. Somos contra a perda das possibilidades de atenção à saúde que isso pode vir a representar, praticamente assumida pelas autoridades ao propor plano de saúde privado para compensar a perda do IASERJ. Somos contra o conceito embutido nesta privatização, de que serviços de saúde públicos se destinam a indigentes e não aos trabalhadores que os financiam, através de seu descontos de impostos.

Somos a favor do SUS – Sistema Único de Saúde – e da Constituição Federal que preconiza que a atenção à saúde é um direito e atribuição do Estado. Por último, nessa época em que se fala de um genocídio que se dá nos órgãos de saúde do estado, cabe perguntar afinal quem são os genocidas. Serão os profissionais de saúde, que têm sua evidente responsabilidade, ou serão os gestores de todos esses anos e os interesses intervenientes nas decisões e omissões?

O IASERJ e todo o sistema de saúde do estado são, hoje, certamente, aquilo que o poder público fez deles. Por isso mesmo, pelo que tem de história e possibilidades continuamos acreditando que uma política séria de recuperação e desenvolvimento, urgente mas sem imediatismo, é possível e necessária

Por Roberto Stern




Reproduzimos o texto do psicólogo Roberto Stern publicado originalmente no site do CRP em março de 2007. Se ignorado o contexto, poderia ser um relato do período atual, não fosse o agravamento da situação do instituto.
Os dirigentes do IASERJ poderiam aproveitar a oportunidade para uma reflexão sobre as suas reais intenções, os métodos empregados pela atual direção corroboram a idéia de que o atual projeto não coaduna com o discurso de modernidade administrativa anunciado pelo governo Cabral.
Os servidores querem coerência, transparência e diálogo, pedem pouco pois sabem das limitações que regem a administração pública, mas sabem também que a saúde é declaradamente a prioridade de todo candidato que se preze.
O atendimento das reivindicações dos servidores, no entanto, entra no terreno vago dos restos a pagar, da falta de recursos e outros argumentos menos cotados, felizmente, a população está atenta e responde rapidamente contra o descaso.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

IASERJ PEDE SOCORRO

Hospital Central do Iaserj recebe pacientes com suspeitas de infecção pela gripe suína, no entanto, para disponibilizar vagas, o Instituto retirou sem comunicação prévia e de forma inadequada diversos pacientes que estavam internados na UTI do Iaserj.
Na ânsia de produzir factóides, vidas de pacientes são colocadas em risco, (um paciente morreu após ser retirado da Unidade de Tratamento Intensivo).
As condições de trabalho no IASERJ são precárias, o governo do estado promoveu a abertura do atendimento para a população, sem no entanto, investir na modernização das instalações, a informatização é limitada, é comum a utilização de antigas máquinas de escrever nos prédios administrativos e ambulatorias.
Não existe a menor preocupação em informar servidores e usuários sobre os rotinas e procedimentos. A Assessoria de Comunicação foi desativada, assim como o Departamento de Recursos humanos.
Nota-se uma preocupação do governo do estado em manter uma imagem positiva junto à opinião pública, mas o que acontece na cotidiano, é a desconsideração com a qualidade dos serviços públicos oferecidos, não existe política de valorização dos recursos humanos, a desinformação prevalece obstruindo possíveis canais de comunicação entre dirigentes, servidores e usuários.
Ainda há tempo para corrigir erros e falhas e estabelecer um diálogo que priorize a melhoria da qualidade do trabalho e atendimento nas unidades, atualizando e redefinindo em conjunto com as entidades representativas dos servidores, a missão do instituto que durante décadas prestou inegáveis serviços aos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Repórter Servidor

Nesta seção o leitor é quem manda, servidores e usuários do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado Rio de Janeiro poderão participar do blog, enviando textos, fotos ou vídeos. A questão da qualidade dos serviços públicos adquire, a partir de agora, uma importante aliada: a internet, que através da tecnologia oferece vez e voz aos funcionários públicos.

Aproveite e participe:

A leitora Licia expressa sua indignação com a situação do Iaserj:

Triste para mim,funcionária dessa instituição ver o descaso e desrespeito de nosso atual governo com funcionários e pacientes do Iaserj Central.A impressão é de pouca transparência e desinformação dos reais planos para o Hospital do Iaserj Central.Não somos informados de nada e a cada dia uma nova surpresa desagradável.
A última foi a forma como foi feita a remoção de todos os pacientes do prédio clínico,na calada da noite,culminando com o óbito de um paciente grave,do CTI,para justificar usar todo o prédio para receber pacientes de gripe suína.O mesmo foi fechado e permanece um guarda na porta não permitindo a entrada de ninguém no local.Será que nossos políticos e governantes dariam o mesmo tratamento a seus familiares ou a si mesmos?Realmente chocante!!Não somos estatisticas,nem estamos aqui para gerar lucros!!Não somos "vagabundos",nem moleques para recebermos esse tratamento.ÉTICA E DIGNIDADE JÁ!!!!Ainda vivemos em uma democracia,mas não é o que tem parecido ocorrer na saúde,que anda cada dia mais doente,ouso em dizer em estado terminal!!


sábado, 2 de maio de 2009

IASERJ NA IMPRENSA

O site You Pode repercutiu reportagem publicada no Jornal do Brasil do último dia 30 na qual são denunciadas as remoções inadequadas de pacientes internados no Centro de Terapia Intensiva do Iaserj.

Leia a íntegra do texto aqui.

A matéria intitulada de "Escondendo a informação" revela que em uma dessas transferências ocorreu um óbito, segundo o JB, Mariléa Ormond, presidente Associação de Funcionários do instituto, reagiu indignada e anunciou que pretende testemunhar contra o estado no caso desta morte.

A situação do IASERJ se agrava a cada dia, o governo do estado se mantém impassível, não há informações sobre os projetos para a instituição, a inexistência de uma assessoria de imprensa dificulta o acesso aos relatórios e planos da gestão atual, o desmonte incluiu até mesmo a desativação do Departamento de Recursos Humanos e os servidores manifestam suas preocupações com o desmonte gradativo daquele que é considerado um patrimônio dos funcionários públicos do Estado do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

ESQUELETO DENUNCIA ABANDONO



Há mais de 30 anos reina absoluto no centro do IASERJ, na Praça da Cruz Vermelha, o prédio inacabado do Pavilhão Cirúrgico. A obra iniciada no Governo Chagas Freitas se transformou no símbolo do abandono vivido pela instituição, os sucessivos governos desde então, ignoraram por completo as suas prioridades.
Longe do passado quando era reconhecido como referência no atendimento médico-hospitalar do Estado do Rio de Janeiro, o IASERJ vive em quadro de sucateamento, em que o seu patrimônio, construído com os recursos provenientes do desconto em folha dos servidores do estado, vai sendo gradativamente destruído.


IASERJ desativa Fisioterapia no Hospital Central

Centenas de pacientes do IASERJ foram surpreendidos com o fechamento do setor de Fisioterapia do Hospital Central, sem aviso prévio, a direção do instituto transferiu os funcionários para outras unidades da instituição.
Nos últimos dias tem crescido a inquietação entre os servidores diante da crise vivida pelo instituto, eles reclamam da falta de informações, desconhecem os planos da atual diretoria e questionam os critérios que levam a fechar unidades ambulatórios que prestam inestimável serviço à população.
É o caso de Niterói, única unidade fora da capital, que há 30 anos atende aos servidores da região leste do estado. Modelo de um projeto de interiorização que nunca se consolidou, teve o seu fechamento anunciado pelo atual presidente.Os servidores reivindicam que a decisão seja revista


Cenas de uma crise anunciada

Cena 1: Salas de raio x vazias, enquanto aparelhos caros e sofisticados são abandonados em corredores do Hospital





Cena 2: Incubadoras em excelente estado deixadas em salas inadequadas após a desativação da maternidade do Hospital Central




Cena 3: documentos com o histórico dos pacientes em salas impróprias para o armazenamento


Cena 4: Teto da antiga recepção do instituto desativada pela atual direção



É preciso dizer mais alguma coisa, ou as imagens dizem por si mesmas?


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Crime contra o patrimônio público

A impressão de quem visita as instalações do Hospital Central do Iaserj é a de que naquele lugar aconteceu uma guerra violenta que arrasou recursos materiais e abateu os servidores, na verdade a questão é outra, nos últimos anos aquele que já foi considerado um dos maiores hospitais do país foi gradativamente desmontado.
Um exemplo é a maternidade que deixou de funcionar há dois anos, as explicações da direção não convenceram os funcionários que reclamam dos caros materiais que estão sendo abandonadas nos corredores da instituição.


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Iaserj resiste

Prédio do Iaserj- Niterói: ameaça de desativação

Ambulatório completou 30 anos em março



Servidores e usuários em assembléia

Mariléa Ormond da Afiaserj dirige assembléia


Afiaserj promove assembléia em Niterói

Contrariando as intenções da presidência do Iaserj, funcionários e usuários do instituto participaram nesta quinta-feira de assembléia que defendeu a continuídade dos serviços do ambulatório de Niterói.
Os servidores protestam contra as demissões arbitrárias que interromperam grande parte do atendimento médico na unidade. Os usuários lembram que o ambulatório é o único fora da capital e atende aos beneficiários da região leste e do interior do Estado.
Segundo as lideranças do movimento, tal atitude representa "um tiro no pé ", o ambulatório de Niterói foi inaugurado em 1979 dentro do plano de interiorização do instituto, para os funcionários a decisão de fechar a unidade contraria este processo de ampliação da assistência para todos os servidores"
Ficou decidido que na próxima semana, novos movimentos serão realizados com o objetivo de mobilizar a categoria e informar aos usuários sobre a real situação da instuição que este ano completa 77 anos de história.